Tabela de preços para prestador de serviço: quanto cobrar em 2026
Quanto cobrar é a pergunta que mais paralisa prestador de serviço — e também a que mais custa dinheiro quando errada. Cobrar pouco queima lucro. Cobrar muito sem saber justificar perde serviço. Este guia traz referências de mercado por profissão, a fórmula para calcular sua hora real e como montar uma tabela de preços que você atualiza sozinho.
Por que "cobrar pelo mercado" é perigoso
O problema de olhar o concorrente para definir preço é que você não sabe o custo dele. Um pedreiro que mora a 5 km do cliente tem custo de deslocamento diferente de quem atravessa a cidade. Quem tem ferramenta própria tem custo diferente de quem aluga. Copiar preço sem entender custo é a rota mais rápida para trabalhar muito e sobrar pouco.
As tabelas abaixo são referências de mercado para 2026 — não regras. Use como ponto de partida e ajuste para o seu custo real.
Referências de preço por profissão (2026)
Pedreiro
- Mão de obra geral (dia): R$ 250 a R$ 400 (depende de especialidade e região)
- Assentamento de piso (m²): R$ 50 a R$ 90
- Reboco interno (m²): R$ 35 a R$ 60
- Alvenaria de tijolo (m²): R$ 60 a R$ 110
- Demolição de parede (m²): R$ 40 a R$ 80
- Pintura de parede (m²): R$ 15 a R$ 30 (só mão de obra)
Eletricista
- Mão de obra por hora: R$ 80 a R$ 150
- Ponto de tomada 10A (instalação + material básico): R$ 120 a R$ 220
- Ponto de iluminação com interruptor: R$ 100 a R$ 180
- Troca de quadro de distribuição: R$ 350 a R$ 700 (sem material)
- Instalação de ar-condicionado (elétrica): R$ 150 a R$ 280
- Visita técnica e diagnóstico: R$ 80 a R$ 200
Pintor
- Pintura de parede — 2 demãos látex PVA (m²): R$ 12 a R$ 22
- Pintura de parede — 2 demãos acrílica premium (m²): R$ 18 a R$ 35
- Massa corrida + pintura (m²): R$ 25 a R$ 45
- Pintura de teto (m²): R$ 15 a R$ 28
- Pintura de fachada com textura (m²): R$ 30 a R$ 60
- Pintura de esmalte em porta/janela (por unidade): R$ 80 a R$ 180
Encanador / Bombeiro Hidráulico
- Visita técnica + diagnóstico: R$ 80 a R$ 180
- Desentupimento simples (pia, vaso, ralo): R$ 120 a R$ 250
- Instalação de ponto hidráulico: R$ 180 a R$ 350
- Troca de torneira ou sifão: R$ 80 a R$ 160
- Reparo de vazamento (localização + conserto): R$ 200 a R$ 500
- Adicional emergência noturna: +50% a +100% sobre o valor normal
Técnico em Ar-Condicionado
- Instalação split até 12.000 BTU (mão de obra): R$ 300 a R$ 500
- Instalação split 18.000–24.000 BTU (mão de obra): R$ 400 a R$ 700
- Higienização básica: R$ 120 a R$ 200
- Higienização completa com bactericida: R$ 200 a R$ 350
- Carga de gás R-410A (por kg): R$ 90 a R$ 180
- Visita técnica e diagnóstico: R$ 80 a R$ 150
Atenção: preços variam muito por região. Capital de São Paulo paga em média 30% a mais que interior do Nordeste para o mesmo serviço. Sempre pesquise o mercado local antes de fechar sua tabela.
Como calcular o seu valor hora
Olhar tabela de concorrente é útil como referência, mas não garante que você cobre o suficiente para cobrir seus custos. O cálculo real parte de quanto você precisa ganhar por mês e do seu custo real de trabalhar.
- Defina quanto você quer receber líquido por mês. Exemplo: R$ 6.000/mês. Esse é o seu piso — abaixo disso, você trabalha por menos do que precisa.
- Some seus custos fixos. INSS (11% para MEI ou 20% para autônomo), ferramentas, celular, combustível, materiais de consumo. Exemplo: R$ 1.200/mês em custos.
- Calcule seu faturamento mínimo necessário. R$ 6.000 (líquido) + R$ 1.200 (custos) = R$ 7.200/mês para faturar.
- Estime as horas produtivas reais. Em um mês com 22 dias úteis, você dificilmente trabalha 8 horas direto em serviço pago. Deslocamento, orçamento, compra de material, espera de cliente — são pelo menos 2–3h por dia "não faturadas". Conta 5–6 horas produtivas por dia: 22 dias × 5,5h = 121 horas produtivas.
- Divida: R$ 7.200 ÷ 121 horas = R$ 59,50/hora. Esse é o seu custo real mínimo. Valor abaixo disso = prejuízo.
- Adicione margem de lucro. Para crescer, reinvestir em ferramenta e ter reserva, adicione 20–40% sobre o custo mínimo. R$ 59,50 × 1,30 = R$ 77,35/hora como preço justo de mercado com margem.
Dica: faça esse cálculo toda vez que seus custos mudarem ou que você querer aumentar o padrão de vida. Muitos prestadores cobram o mesmo preço há 2 anos enquanto combustível, INSS e material subiram. Atualize sua tabela pelo menos uma vez por ano.
Como montar sua tabela de preços
Uma tabela de preços funcional não precisa ter 100 itens. Precisa ter os serviços que você mais faz, com preço base que você ajusta por cliente quando necessário. A estrutura ideal:
- Nome do serviço: claro, como o cliente pergunta. "Instalação de tomada 10A" não "Ponto TF 127V".
- Unidade de cobrança: hora, m², ponto, diária, projeto fechado.
- Preço base: o valor padrão para esse serviço em condições normais.
- Inclui / Não inclui: o que está na mão de obra e o que cobra extra (material, deslocamento acima de X km, etc.).
- Data de revisão: coloque a data da última atualização. Serve como lembrete para revisar.
Quando e como aumentar o preço sem perder cliente
Aumentar preço é inevitável — material sobe, INSS sobe, custo de vida sobe. O erro é aumentar de surpresa para cliente fiel, sem aviso, na hora do serviço. A forma certa:
- Avise com antecedência. "A partir do mês que vem meus preços sobem X% por reajuste de material e INSS. Serviços agendados até [data] mantêm o preço atual." Cria urgência e fideliza quem já é cliente.
- Reajuste por inflação, não por vontade. Se o IPCA do ano foi 5%, reajuste 5–7%. Fica mais fácil de justificar.
- Comece cobrando mais de clientes novos. Antes de subir para a base atual, pratique o novo preço em clientes novos. Você vai calibrar resistência sem arriscar quem já paga.
- Documente o reajuste por escrito. Mande uma mensagem ou email com o novo valor antes de começar o primeiro serviço no novo preço. Nunca verbalmente — "mas não era esse valor" é o conflito mais comum.
Descontos: quando dar e quando não dar
Desconto não é proibido — mas tem que ser estratégico. Dar desconto toda vez que cliente pede treina o cliente a sempre pedir. Algumas regras que funcionam:
- Desconto por volume real: se o cliente fecha 3 serviços de uma vez, um pequeno desconto no conjunto faz sentido. Não no serviço avulso.
- Desconto por pagamento à vista (PIX na hora): 5% de desconto para quem paga antes de você sair do local. Melhora seu fluxo de caixa e justifica o desconto racionalmente.
- Nunca desconto sem contrapartida: se o cliente quer desconto, tire algum item do orçamento. "Posso fazer por R$ 180 em vez de R$ 220 se a gente deixar o lixamento para depois." Mantém seu valor por hora.
- Defina um teto interno para desconto: 10% máximo. Qualquer pedido acima disso, você declina ou perde o serviço — e provavelmente é cliente que dará problema o tempo todo.